DOENÇAS CRÔNICAS DE PELE E SAÚDE MENTAL
- 23 de mai. de 2025
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Atualizado: 11 de jun. de 2025

Sabemos que a pele é o maior órgão do corpo humano, sendo ela quem separa o interior do corpo e o mundo. É por ela também que nos apresentamos tatilmente ao exterior e às diferentes sensações. Mas o que um órgão tão biológico pode ter a ver com a saúde psíquica? Para a psicanálise, o corpo vai além do orgânico: ele é o palco da história do sujeito, que carrega experiências e significados. Cor, manchas, texturas, marcas, feridas: nenhuma dessas características existem sem influenciar a forma como cada um vai viver a sua subjetividade e suas experiências de vida.
Dermatite atópica, Psoríase, Vitiligo, Lúpus, Urticária crônica, etc são exemplos de algumas doenças crônicas de pele que podem acompanhar a vivência de pacientes desde a infância ou ao longo do tempo. A presença visível de marcas, feridas e outras condições de pele podem gerar problemas com a autoimagem e autoestima, medo de rejeição, solidão e isolamento. Esses fatores têm relação com os altos índices de depressão e ansiedade entre os pacientes que são acometidos por essas doenças, podendo ser frequente problemas na escola, no trabalho e nas relações amorosas e sociais.
Em alguns casos, o sofrimento não se restringe às pessoas que vivem com essas doenças, mas estende-se também aos familiares/cuidadores. É comum o sentimento de impotência, frustração, tristeza e culpa por acompanhar as consequências negativas na vida de quem se ama.
Todo o estigma que envolve as doenças de pele tem efeitos na forma como o indivíduo se vê e como se relaciona com seus semelhantes e com as exigências da vida, tendo profunda relação com sua saúde mental. A aposta é que falar sobre o que faz sofrer pode causar mudanças importantes de posição diante da doença e das questões que a envolvem, considerando a experiência particular de cada paciente.
A doença crônica é aquela que não tem cura e que o paciente precisa conviver com ela por toda a vida. Sendo a psicanálise a “cura pela palavra”, é nesse espaço em que ela é atentamente escutada que o paciente poderá criar formas de curar suas angústias e ressignificar sua história à sua maneira, tendo ferramentas eficazes de seguir a vida de forma mais saudável junto à sua condição de pele.



